O Repuxo foi, durante cerca de 40 anos, um ícone da Cidade de Almada. Podemos pôr em causa o seu sentido estético ou a sua beleza, muitas vezes era até apelidado de "Penico", mas a relação que a comunidade almadense estabeleceu, ao longo dos anos, com este objecto ornamental, foi de um grande carinho, que envolveu algumas gerações. Por estes motivos, faz parte do nosso património e da nossa identidade cultural.
Mas quem manda, pode !!!! e lá vai o Repuxo ser desmantelado... Sem ser ouvida a vontade da população! Não o vão esquecer os estudante, que o tornaram um lugar preferencial para as suas praxes, nem a "malta" , que nas suas brincadeiras nocturnas de Verão, terminava muitas vezes num banho na fonte, para aproveitar o fresco da água.
Ficará para sempre na memória de todos aqueles que foram crescendo e se tornaram adultos, compartilhando a presença diária do Repuxo que, com a sua presença, alegrava e marcava a praça Gil Vicente.
Em nome da modernidade e do progresso desaparece, assim, mais um símbolo da nossa identidade local. Custa perceber o que incomodava, e a quem, esta referência de Almada? E que razões objectivas existem para a sua destruição?
Sobre isto nada foi explicado à população. Esta decisão foi tomada, decerto, em função de questões técnicas e económicas, colocando a Memória, o Património e a vontade dos cidadãos, em último lugar.
Mas pronto a destruição começa já a partir de Sábado, 17 de Março de 2007.
Fica o registo fotográfico do Repuxo, para uma memória futura, que fará para sempre parte do imaginário das Gentes desta Cidade.

Texto: Henrique Mota.
Fotografia: Arquivos de «O Farol».