12 de abril de 2024

Elias Garcia - Busto vandalizado

 

Têm sido muito numerosos os moradores de Cacilhas que se têm manifestado contra o acto de vandalismo de foi alvo o busto de José Elias Garcia, uma das mais insignes personalidades almadenses.

Ao longo de mais de cem anos tem vindo a ser recordado e homenageado, não só pela população local, como por importantes personalidades nacionais, que se deslocaram junto ao local onde nasceu para lhe prestarem testemunho.

Nos últimos 20 anos, a associação “O Farol” e a Junta de Freguesias de Cacilhas, agora integrada na União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas, têm vindo a prestar homenagem junto a este busto, no local onde nasceu em 30 de Dezembro de 1830

Fica um sentimento de repudio e revolta contra quem comete estas barbaridades contra a dignidade, a história, a memória e o património da nossa comunidade.

Esperemos que os danos sejam reparados.

A nossa associação junta a sua voz a todos os almadenses que têm manifestado o seu desagrado pelo acontecido.

6 de abril de 2024

Revolução Ilustrada - Cartazes e Publicações do 25 de Abril

 A Livraria Meia Volta de Úrano, irá apresentar uma mostra de cartazes e publicações representativas do 25 de Abril de 1974.
Convidamo-vos a estar presente na sua inauguração, no próximo domingo, dia 7/04 pelas 18,00h nas nossas instalações na Rua Cândido dos Reis nº 49 A e B, em Cacilhas.
 
 

 

2 de janeiro de 2024

Fernando Barão - Centenário do seu nascimento

 


 Hoje é o dia do centenário do nosso amigo, Fernando, o "Barão de Cacilhas".

Por essa razão podem (e devem) visitar o blogue dele (criado ontem) e também:

 fernandobarao.blogspot.com

 scala-almada.blogspot.com

 casariodoginjal.blogspot.com

 abraços

 Luís Milheiro

FERNANDO BARÃO - A voz perene. (por Artur Vaz)

 

Fernando Barão, pertence a uma geração de cacilhenses de ímpar amplitude cívica e um dos mais activos na participação da sua comunidade.

Possuidor de uma memória extraordinária, desloquei-me, nos anos oitenta, ao seu estabelecimento comercial, com o intuito de me fornecer elementos sobre a campanha eleitoral do general Humberto Delgado, em Almada. 

Conhecedor dos movimentos oposicionistas à ditadura, logo começou a retratar numa linguagem invulgar, aquilo que para mim se veio a   tornar de imediato, numa extraordinária página de história local.

O Mestre Fernando Barão, iria imortalizar alguns dos seus bons contos na sua primeira obra “Estórias de Almada Antiga”, numa narrativa simples onde se nota de forma inquestionável, a arte de bem escrever e de contar histórias, conseguindo captar o leitor.

Registe-se que o seu vasto legado literário - tanto na prosa como na poesia – conquista-nos pelo fulgor da sua inteligência na focagem de qualquer assunto, cuja mestria nos faz viciar.

Foi um escritor que sentiu o que pensava, acreditou naquilo que pensou e escreveu sempre direito – sem se deixar calar!

Outra faceta de Fernando Barão, é o associativismo. Defensor de tão nobre causa, organiza em plena ditadura o Primeiro Congresso das Colectividades do Concelho de Almada e em simultâneo o colóquio "Os Problemas da Juventude" os quais vieram a ter repercussão de âmbito nacional, e problemas políticos 

Associado e dirigente de associações desportistas, cívicas e culturais, sempre se pautou pela resolução das dificuldades que brotam no seu seio, focando o papel importante do poder central, antes e depois de Abril.

Fernando Barão, foi também permanente observador da escassez de condições sociais, razão pela qual teve responsabilidades como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada, entre os anos 1974 a 1986.

Por deliberação de 6 de Junho de 1994, foi distinguido pela Câmara Municipal de Almada com a Medalha de Ouro de Mérito Cultural, pela sua dedicação em prol da cultura

Resta-nos concluir, que esta sincera homenagem evocativa no “Centenário do seu Nascimento” fica muito aquém da dimensão do seu perfil humanista.

Contudo, é imperioso afirmar que a Memória da Nossa Almada – Cidade Cinquentenária – , também se faz com a Vida e Obra de Fernando Barão, que está perpetuado na "Galeria dos Bons Filhos Almadenses".

 ARTUR VAZ

Fernando Barão - CULTURA E O ASSOCIATIVISMO

 

Iº ENCONTRO DAS COLECTIVIDADES CACILHENSES

Intervenção do senhor Fernando Barão

Representante de “O Farol- Associação de Cidadania de Cacilhas”

 

CULTURA  E  O  ASSOCIATIVISMO

 

Um homem sem cultura não tem possibilidades de ser um homem livre. Um homem sem cultura é como uma coisa que flutua à tona de água deixando-se arrastar facilmente pela alternância das ideias alheias que, se forem mal intencionadas, o levam por caminhos que desaguam em “becos” com consequências nefastas. Será por isso que nunca chega a criar a personalidade para saber reflectir e amadurecer pensamentos para discernir, com convicção, qual será no futuro a melhor directriz a trilhar.

 

O academismo poderá ser uma alavanca de alguma elegância cultural mas isso não será o suficiente para quem pretende dar exemplos de uma conduta social tendo na mira a solidariedade entre as populações. E a solidariedade é uma trave mestra na cultura.

 

Conhecemos homens, relativamente cultos em sabedoria escolar que nunca puderam espelhar condutas louváveis. É que nunca andaram cá por baixo a conhecer dificuldades dos outros. Em contrapartida, conhecemos outras pessoas de índice autodidacta, que conseguiram alcançar uma armazenagem cultural plena de convicções notáveis, e que sempre estão na primeira fila dos acontecimentos com uma militância deveras dinâmica. E estes, embora hajam excepções, vêm geralmente de famílias pobres, remediadas ou pequeno-burguesas. Pois fazem parte da legião laboradora e gatinharam a olhar para os lados, onde existiam e existem necessidades básicas que as sociedades de consumo nunca se acostumaram a remediar.

 

Perguntar-se-à: - E onde é que estes indivíduos assimilaram os arcaboiços sócio-culturais se as suas cadernetas escolares foram muito pouco preenchidas e os atributos académicos não passaram de uma atitude pouco mais que medíocre …

 

Começa portanto, aqui, o papel educador das colectividades de cultura, recreio e desporto escalpelizando-se as diferenças entre instituições válidas e instituições nefastas.

 

Além disso, convém mencionar que, nas instituições, poderá haver várias facetas que reflectirão os benefícios oferecidos a quem as aceita:

 

1 – Temos as que se dedicam à educação dos seus associados, estabelecendo regras com programas progressivos que nada têm a ver com o que se aprende nas teses do ensino estatal.

Há exemplos notáveis, nesse sentido, no concelho de Almada antes da revolução de 25 de Abril de 1974. Lembremo-nos das Escolas do Desportivo da Cova da Piedade que, funcionando com autonomia administrativa, concederam a centenas de jovens (e não só) uma personalidade educacional, digna dos maiores encómios.

 

2 – Há também as associações que possuem em si uma liberalidade de processos onde se destacam as manifestações em grupo, através de conferências, de exposições artísticas de vários matizes e também dos próprios associados; de excursões a locais de interesse histórico-culturais; a projecções de grupos para a arte teatral e para o estudo da arte cinematográfica (projecção vilipendiada) com a criação do cine-clubismo, tudo isto complementado com peculiares bibliotecas onde as obras, ao dispor de cada um, se poderão filiar na absorção de uma literatura adequada aos factores das artes, do tecnicismo científico, da moral educadora; e, porque não, às disciplinas desportivas mais conducentes ao tal corpo são numa mente sã.

 

Todavia, num Seminário sobre vários horizontes culturais, oriundos das colectividades populares, há que denunciar as diversas moléculas nocivas que alienam o desporto e arrastam quantidades magnas de massas de desportistas de bancada, onde a filosofia ganhadora suplanta tudo o que se possa imaginar. Em tudo isto entrará, na equação desportiva, o fatal meio economicista que, de uma forma geral, abastarda a lisura de processos, onde os próprios agentes da dinâmica competitiva servem-se de todos os truques para ludibriar os adversários, os juízes, os treinadores, os dirigentes e até os próprios colegas de equipa. O vil metal aqui, funciona como uma alavanca destruidora dos sãos princípios que levam tudo na enxurrada das conveniências de cada patamar.

 

Entretanto há que não subestimar os conluios, os subterfúgios e a indignidade de alguns dirigentes que, sendo da mesma estatura do atleta pernicioso e do seu agente empregador, não actuam em disciplina interna, pois o corolário destas diatribes encaminham-se sempre no mesmo sentido em que o cifrão, agora substituído pelo euro, entra sempre na função destruidora da dignidade colectiva. E tudo isto desliza numa velocidade meteórica, como pedra de gelo, que desaba pela montanha abaixo. Depois, entrando-se em paradigmas lisonjeiros, com o que se passa no desporto amador, verifica-se com desgosto, que este tem a pretensão de esquecer os atributos louváveis, para enveredar, quanto mais depressa melhor, na selva dos branqueamentos, das corrupções, nas dívidas monstruosas, nos sacos azuis, numa complexidade malévola a todos os títulos.

 

É claro que o futebol, como disciplina que atrai as grandes massas populares, é o grande eixo propiciador às atitudes irreflectidas e à alienação da fraternidade, que deveria existir, como guardiã da grandeza do processo límpido e transparente. Mas as pessoas adoram tudo o que é grandioso e chamativo para o engrossamento das más atitudes. – Afirmarei antes, que são levadas com facilidade … É evidente que este mal-estar não se dá só no futebol mas também nas chamadas modalidades nacionais, conforme os países que as cultivam. E é muito difícil lutar contra estes sistemas benevolamente observados pelas entidades públicas, sempre desejosas que haja um esquecimento colectivo para os problemas essenciais e que afectam as multidões, que também incluem alguns prosélitos um tanto ou quanto vítimas (ou profissionais) da irracionalidade que alimenta os vendavais anti-sociais …

 

E quando, mau grado a conjuntura nacional, se consegue que alguma entidade policial (isenta) comece a puxar uma linha do amaldiçoado “tricot” e antes que o tecido se desfie completamente, logo saltam a terreno os dignos tribunos da cimeira administrativa, a fazer parar o dissabor que já vai atraindo a larga legião jornalística e atiram desculpas apressadas e desconjuntadas, que são análogas a colunas de fumo que transformam as falcatruas em nebulosas propiciadoras às confusões. E quando se vive no reino da confusão …

 

Depois, há que acenar às entidades judiciais para demorarem processos incompletos, que façam entrar tudo na zona adormecida que leva ao esquecimento. E o grupo dos “Amigos da Tramóia” continua impante na importância do sorriso tão do agrado das multidões distraídas, que andam muito preocupadas com a próxima competição que poderá adjudicar mais um campeonato às suas cores sagradas … E a côrte dos refinados continua a desfilar sendo impossível afirmar que o rei vai nu porque estamos em plena república das bananas e a democracia está com vendas e algemas.

 

Voltando às primeiras expressões só um homem culto poderá saber pesar todas estas questões que estão avassalando as sociedades de cultura medíocre e destruindo ideologias puras e transparentes.

 

Será este panorama, quase estereotipado, que não tem lutadores para o enfrentamento no futuro? Tudo isso depende de nós que ainda vamos tendo força para nos reunir e discutir, aquilo que é visível, mas que muita gente não quer ver.

 

É claro que com uma sede pequena sem condições profiláticas, só com uma mesa onde cabem oito mãos, um baralho de cartas e quatro copos de vinho tinto, não iremos elevar os nossos ideais que se esbatem no infinito. Não, teremos que lutar por um associativismo que ensine, que eduque, que abra olhos e ouvidos, até que, os da bisca lambida, possam compreender as nossas regras de progressismo. Acabe-se com maniqueísmos e levemos a mensagem a toda a gente, por todo o mundo. Continuidades atávicas, nunca mais. Acabe-se com o anquilosamento das sociedades com mentores perversos. Demos-lhes um chuto no cu e, nem que levemos alguns séculos, lutemos por novos caminhos, por horizontes com estrelas ou sóis radiosos. E embora estas imagens onde só falta a pomba branca para proclamarmos a teoria benfazeja da PAZ não se iludam. Isso só para mais tarde. É que eu também sei escrever coisas bonitas.

 

Mas por agora não … Por agora estamos em tempo de guerra …