22 de maio de 2026

Pequenas infraestruturas. Grande impacto no quotidiano.

Cacilhas mudou muito ao longo das últimas décadas.
Mudaram os edifícios, os fluxos turísticos, os espaços comerciais e até a forma como hoje vivemos a frente ribeirinha.

Mas no meio dessas transformações, talvez valha a pena fazer uma pergunta simples: continuamos a pensar o espaço público para quem o utiliza todos os dias?

Nos últimos dias, uma publicação nas redes sociais d’O Pharol gerou dezenas de comentários sobre infraestruturas consideradas básicas pela população: casas de banho públicas, bancos, bebedouros, zonas de sombra, limpeza urbana e pequenos equipamentos de apoio.

Mais do que nostalgia, muitos dos testemunhos revelavam uma preocupação concreta com a vivência quotidiana do território.

Várias pessoas recordaram a existência de antigas casas de banho públicas em Cacilhas — simples, funcionais e utilizadas diariamente por moradores, visitantes e trabalhadores da zona. Outros comentários chamavam a atenção para uma realidade muitas vezes esquecida: uma população envelhecida, para quem o acesso a infraestruturas básicas pode determinar a forma como ocupa o espaço público.

Mas há também outra dimensão importante nesta reflexão.

Cacilhas não é apenas uma zona histórica ou turística.
É um dos principais pontos de circulação e transbordo do concelho.

Todos os dias, milhares de pessoas passam por Cacilhas entre barcos, autocarros, metro de superfície e percursos pedonais. Há quem ali espere transportes, quem trabalhe, quem caminhe, quem acompanhe familiares ou simplesmente permaneça durante longos períodos ao longo do dia.

Num espaço ribeirinho com esta centralidade e circulação diária, infraestruturas como casas de banho públicas, bebedouros, bancos ou zonas de descanso não são um luxo.
São parte das condições básicas de conforto, acessibilidade e dignidade que qualquer espaço público pensado para as pessoas deveria garantir.

Houve também quem lembrasse que a qualidade de uma cidade não se mede apenas por grandes obras ou projetos estruturantes. Mede-se igualmente na presença de pequenos elementos que tornam os lugares mais humanos, acessíveis e habitáveis.

Um banco pode parecer apenas um banco.
Um bebedouro pode parecer apenas um detalhe.
Uma casa de banho pública pode parecer um assunto menor.

Mas talvez sejam precisamente esses detalhes que definem a relação entre uma cidade e as pessoas que nela vivem.

Esta não é uma reflexão contra o desenvolvimento.
Nem uma crítica vazia.

É apenas o reconhecimento de que preservar a dignidade e o conforto do quotidiano também faz parte da cidadania.

E talvez ouvir a população seja um bom ponto de partida.

Carla Carvalho


15 de maio de 2026

VITOR PINA DE FIGUEIREDO

Medalha de Ouro da Cidade de Almada atribuída em 2024, por mérito e dedicação.

Uma dedicação que vem desde muito jovem, uma entrega à causa publica que o acompanhou ao longo da vida, com uma presença activa em muitos acontecimentos marcantes.

Por isso atrevemo-nos a perguntar a Vitor Figueiredo:

Onde estava no 25 de Abril?

E ele passa-nos a descrever:

No dia 24 de Abril de 1974 à noite despedi-me dos meus pais e dos meus filhos em Moscavide, e fui-me reunir a outros camaradas civis que estavam convocados para ir apoiar a revolta militar.

Durante a madrugada de 24 para 25 encontramo-nos na minha residência da Costa da Caparica que era a minha base política e operacional clandestina, daí seguimos para Lisboa onde nos reunimos a mais companheiros, todos civis.

Em Lisboa, no Terreiro do Paço, encontrei Salgueiro Maia que já conhecia, pois tinha sido apresentado em Almada, por amigos.

No local ele já tinha tomado posições com as suas tropas.

Seguidamente segui com outros camaradas para junto do Quartel da GNR no Carmo, para onde Salgueiro Maia se tinha dirigido para cercar o quartel e neutralizar as forças inimigas, impedindo que saíssem para a rua.

“ESTAMOS CÁ PARA O QUE DER E VIER” – foram as palavras de Salgueiro Maia.

Durante todo esse longo dia estive sempre ao seu lado até à derrota do Estado Novo, com a rendição de Marcelo Caetano e da PIDE.

Foi assim que começou a LIBERDADE.

Num longo caminho recordo entre outros o saudoso Vitor Brito do Vale, lutador antifascista e companheiro deste dia.

Nota: Vitor Pina de Figueiredo Foi membro da LUAR na clandestinidade e militante do PS e seu dirigente Regional em Almada.

Medalha de ouro de mérito e dedicação atribuída pela Câmara Municipal de Almada em 2024.

Sócio de O Farol-Associação de Cidadania de Cacilhas.