26 de abril de 2010

Faleceu o nosso colaborador e amigo Jorge Fialho



À família enlutada aqui deixamos os nossos pêsames.
O corpo está hoje (26/4/2010) na Igreja de Almada e o funeral será realizado dia 27 de Abril, pelas 15h, para o cemitério do Feijó.




Faleceu Jorge Fialho, um grande vulto da cultura almadense, poeta, cineasta, viajante e sonhador, alma irrequieta e insubmissa, cidadão de Almada e do Mundo.

Fica para sempre a memória de um apaixonado por Cacilhas e pelo Tejo, que pode recordar na sua dissertação sobre a a Margueira .

Dele que viria a falecer no dia 25 de Abril, dia duma Liberdade que sempre sonhou, e lutou para construir, recordamos um poema que ilustra o seu amor pela Liberdade.


a Guerra pela Guerra

Os degraus que nos levam
Ao patamar da vida
São de tamanhos diferentes
Criados por várias mentes
Esculpidos de dor e alegria
Como o tempo o ditou

Mas não pensem que terminou
A escada vai subindo
Sem corrimão
E a todo o vapor

Na torre de babel ninguém se entendia
Só quem queria
Esse é o momento
Em que as abelhas
Vão aprontando o mel
E os homens escalpelando a terra
Vulgarizando o mal e o fel

Mas o mais horrível
O não credível
É a guerra pela guerra
A puta da guerra
a guerra não traz soluções
traz mortes e desilusões
máfias e interrogações

é tempo de mudança
de luta e de esperança

a liberdade não tem cor
e tem todas as cores

a liberdade não é um acto isolado
não é uma etiqueta
é acima de tudo
um direito do planeta

J.F. 2006






Desde muito novo que o gosto pelas artes de palco foi algo de permanente na vida de Jorge Fialho, um lisboeta que muito cedo veio viver com seus pais para a vila da Trafaria. Nascido em 17 de Maio de 1949, Jorge Fialho fez os seus primeiros estudos na Costa de Caparica, vindo a concluir a 4ª classe na Escola Primária n.º 1 de Almada, sita no Campo de São Paulo. Frequentou o externato Frei Luís de Sousa e a escola Emídio Navarro, onde foi aluno do escritor e dramaturgo Fonseca Lobo, tendo acabado o Curso Geral dos Liceus.

Activo militante nos movimentos estudantis contra o Estado Novo, Jorge Fialho fez teatro amador nas colectividades Academia e Incrível Almadense, sendo muito apreciada, na altura, a sua maneira de representar e de declamar.

Possuidor de uma personalidade muito vincada, foi obrigado por motivos políticos a deixar o país, sendo, em 1969, aceite na Escócia como refugiado político.



Artur Vaz publicou no seu livro " Almada Gente Nossa", uma entrevista biográfica de Jorge Fialho.


link --> ler a entrevista completa


3 comentários:

paul disse...

Jorge - "Face" The boys are going to miss you man. You were fun to be around and your passing is far too soon. We will have a drink in your honour. RIP.

Paul, Mark, Colin & Dave.

Ant disse...

É sempre um choque. Paz à sua alma.

João Paulo Cabral disse...

Só agora soube da morte deste grande senhor. Jorge foi um homem muito viajado. Tornou-se polivalente, ou seja dedicou-se, a varios campos na area da cultura, não o conheci pessoalmente, mas sei que era um grande amigo de um primo meu também ele já falecido.Panchito nome ficticio que os ingleses lhe davam, morreu novo, é pena, sei que ainda havia muitos projectos, para serem realizados, que não chegaram a ver a luz do dia. E para finalizar, queria lembrar que Almada cidade, que lhe era tão querida, não lhe deram o devido valor e a respectiva homenagem. Paz á sua alma.