6 de abril de 2007

Romeu Correia e o Ginjal



Quando começa a Primavera, ir passear ao Ginjal é inevitável, como recordamos nos últimos apontamentos. Embora as contrariedades do percurso sejam diversas, a beleza própria do local supera as dificuldades e as ruínas (como podemos observar na fotografia postada em 1.º lugar, da autoria de Guilherme Cardoso).

E logo Romeu Correia, O Escritor de Almada, nos vem à memória. Pelo amor ao Ginjal, que imortalizou na sua obra, e pela preocupação que legou à cidade na recuperação daquele local. Anunciar o projecto de reabilitação do Ginjal em 2007, seria uma óptima ideia de comemerar o 90.º aniversário do Romeu.

Henrique Mota


2 comentários:

Artur Vaz disse...

Amigo Henrique Mota
O teu texto em memória do Mestre Romeu Correia é de facto pertinente e de ímpar importância.
Aliás, nós que convivemos com o Romeu, sabemos como de importante representou o Cais do Ginjal na sua vida e na obra.
Parabéns companheiro pela tua chamada atenção, aliás atitude própriade de um almademse atento e preocupado, com a memória de Almada e das suas Gentes.
Força, a cultura almadense precisa da tua participação interventiva.
Do teu companheiro e amigo.
Artur Vaz

Jorge Custódio disse...

Quando alguém, pelo seu talento, se eleva acima dos limites da alma, torna-se imortal.

A sua presença é constante, por mais tempo que passe, por maior que seja o abandono a que estejam votados os lugares que tão bem fez viver, eternamente, na nossa memória.

E quando passamos, com saudade e nostalgia, nessa estreita faixa que separa a terra do grande rio cujas águas levam, todos os dias, grão a grão, a nossa esperança de vermos esse espaço recuperado, com a dignidade de outros tempos, sentimos, a cada passo, em cada parede que se eleva para os céus, em cada pequeno pormenor da muralha, os ecos das vozes das personagens com que Romeu Correia nos imortalizou este trecho da nossa Terra.

Falam-nos ao ouvido, entre um eco de apitos de barcos e de sirenes fabris, sobre como era a faina desses dias passados, quais eram os seus sonhos e aspirações, de como nos transportaram até aos dias de hoje, em que, finalmente, tudo se esqueceu, tudo passou.

Só nos restando, mesmo, a memória, essa sim, eterna.

Porque há sábados onde também há um sol que brilha nas nossas almas cacilhences.

Jorge Custódio